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Selva paulistana: conheça o passeio por uma cachoeira da Zona Sul

Sítio que fica a 56 quilômetros da Praça da Sé esconde rio de águas esverdeadas e oferece almoço

08/01/2021 10h51
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Por: Redação Fonte: Veja São Paulo
Cachoeira do Sagui, à esquerda, e plaquinha do Rio Capivari, na direita Guilherme Queiroz/Veja SP
Cachoeira do Sagui, à esquerda, e plaquinha do Rio Capivari, na direita Guilherme Queiroz/Veja SP

Não é preciso ir até a cidade de Brotas, interior paulista, para apreciar um verdadeiro parque de cachoeiras. No extremo sul da capital, em Engenheiro Marsilac, é possível encontrar ao menos oito opções relativamente próximas entre si para curtir em um final de semana ensolarado. 

Na última segunda-feira de 2020, dia 28 de dezembro, resolvi dar um pulo na Cachoeira do Sagui, uma das opções populares do pedaço. Estar dentro dos limites geográficos da cidade não significa que o “pulo” foi, digamos, rápido. As águas esverdeadas, escondidas dentro do sítio de dona Maria Ferreira, 60, são um achado na moda antiga: chega um ponto em que o GPS não é confiável e o importante é seguir as placas. Lembrete: não se esqueça da vacina contra a febre amarela. 

ZONA RURAL

A estrada que leva até a Cachoeira: terra e muitos buracos Guilherme Queiroz/Veja SP Leia mais em: https://vejasp.abril.com.br/cultura-lazer/passeio-cachoeira-sagui-sao-paulo-trilha/

Só dá para ir até lá de carro e, em certo ponto, o sinal de celular é inexistente. São ao menos 8 quilômetros de estrada de terra depois de sair do asfalto, na estrada Engenheiro Marsilac. Tire todas as dúvidas sobre o passeio (e como chegar lá) com a dona Maria (WhatsApp ao final). No meu caso, a viagem durou 1h40 desde que saí do bairro onde moro na Zona Norte até Marsilac (ainda teve a volta). 

A sinalização municipal indica a razão do mar verde se desenvolver pelas janelas do carro: entramos na Área de Proteção Ambiental Capivari Monos, território que corresponde a um sexto da capital paulista, com abundância de Mata Atlântica. 

Depois de porteiras de dezenas de sítios e plaquinhas que indicam o rumo a tomar para a Cachoeira do Sagui (suas melhores amigas, reitero: confie nelas), chegamos na entrada do sítio. O caminho tem seus altos e baixos na questão da qualidade, mas nada que um carro motor 1.0 não dê conta. O recomendado é digitar o nome da queda d’água no Google Maps para encontrar a saída certa da estrada Engenheiro Marsilac: a via de terra onde fica o sítio não tem nome. 

 

O SÍTIO

O pedaço conta com um estacionamento coberto por grama, seguido de uma casinha, onde são cobrados os ingressos. Custa 20 reais por pessoa e aos finais de semana é possível almoçar por 49 reais o quilo ou 40 reais à vontade. O café da manhã sai por 15 reais, aceita cartão. 

O horário é das 9h às 17h, todos os dias (funcionamento mais expandido que todos os núcleos do Parque Estadual da Cantareira, diga-se de passagem). Também é possível acampar por ali, pagando 30 reais por pessoa, com direito a pia, fogão, churrasqueira, geladeira e chuveiro com água quente. 

Devidamente recepcionado pela dona Maria, pode-se assinar o livro de presença e também adquirir alguma bebida ou besteirinha para se alimentar durante a trilha (só não vá deixar lixo por aí!). 

TRILHA

Parte da trilha de 1,1 km que leva até a Cachoeira Guilherme Queiroz/Divulgação

 

Depois de estacionar é preciso fazer uma caminhada até a Sagui: 1,1 km de ida, percorridos em no máximo 25 minut.os. A surpresa é que, apesar da atração principal, o sítio conta ainda com outras duas cachoeiras no seu interior: a do Oásis e a Raio do Sol. A Sagui é a trilha fácil; a Oásis, dificuldade média (2,1 km de ida) e, a última, a hardcore, 4 km de ida, sendo possível apenas com contratação de guia turístico por 200 reais para um grupo de até 10 pessoas. O sítio é enorme e tomado pelo verde, são 46 hectares, pouco mais que a metade do Parque Villa-Lobos.

A trilha não apresenta grandes dificuldades, só mata intocada e eventuais sustos, os pássaros não se intimidam com a presença de humanos. Se estiver chovendo, como foi o meu caso, aceite a oferta da anfitriã de levar um bastão de bambu para se equilibrar: mesmo munido do artefato, levei um tombo monumental na lama amarelada. 

Aproveite para respirar um pouco, tirar selfies. Em certo momento do trajeto, quando os burburinhos do Rio Capivari já tocam as orelhas, uma plaquinha nos conta que aquele é um dos últimos cursos limpos da cidade. 

A CACHOEIRA

Após a subida final, a cachoeira: a grande atração é o poço que se forma ao redor. A queda, em si, não deve medir 2 metros de altura, toda escalonada. 

A água gelada me bateu entre o joelho e a cintura em boa parte da piscina natural (tenho 1,79 m). Somente na área próxima da queda d’água é preciso tomar cuidado: por ali, o rio me cobriu até a ponta da cabeça, com direito a pequenos peixinhos que podem assustar depois de tocarem levemente suas pernas. A correnteza estava fraca, mesmo após intensa chuva. 

Imagem mostra a Cachoeira do Sagui rodeada pela Mata Atlântica

Dona Maria me contou que recebe de 400 a 600 turistas por mês. O sítio é da família dela há 30 anos e eles abriram os caminhos na mata no ano 2000, quando começaram a receber visitantes: já sabiam da existência das cachoeiras antes de adquirirem a propriedade. “Não temos apoio do poder público, de vez em quando a prefeitura passa máquina na estrada de terra, mas ela anda bem ruim ultimamente”, cobra.

Bom é chegar cedo. Apesar de a região contar com mais cachoeiras, o ideal é dedicar um dia inteiro a cada uma delas: esqueça a pressa lá no asfalto. 

Cachoeira do Sagui. Todos os dias da semana, 9h às 17h.

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