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Cidadania

MULHERES AINDA SÃO MINORIA NO CENÁRIO POLÍTICO

Apesar do aumento significativo de mulheres em cargos políticos nos últimos anos, participação feminina ainda é baixa

27/12/2017 12h32
Por: Redação
Fonte: Por: Amélia Rodrigues
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"Se um público que responde por mais de 50% da população não está nos principais espaços de tomada de decisão, é muita ingenuidade ou desonestidade atribuir isso somente às vontades individuais", afirma a cientista política Mônica Sodré.

 

A mulher brasileira conquistou tarde o direito de participar na política, só em 1934, no governo de Getúlio Vargas, todas as mulheres passaram a votar. E, ainda assim, pouquíssimas exerciam sua cidadania, pois na época não era bem visto a participação feminina na política, explica a professora de História Naír Gonçalves Vieira de Andrade. O cenário viria a mudar apenas após a Segunda Guerra Mundial.

 

Só 14 anos após a conquista do voto feminino é que São Paulo teve sua primeira vereadora eleita, Elisa Kaufmann Abramovich (Partido Social Trabalhista), em 1948, mas a mesma foi impedida de ocupar o cargo, pois na época seu partido foi extinto antes que tomasse posse. Quatro anos depois Ana Lamberg Zélgio (Partido Social Progressistas) viria a se tornar a primeira mulher na Câmara dos Vereadores de São Paulo.

 

Hoje são 11 cadeiras ocupadas por mulheres, 20% da Câmara – mais que o dobro comparado ao último mandato, quando eram apenas 5 vereadoras. Enquanto isso, na Prefeitura, apenas duas mulheres passaram entre os 62 prefeitos da cidade: Luíza Erundina de Souza (1989 a 1992) e Marta Suplicy (2001 a 2004).

 

Atualmente, as mulheres representam cerca de 52% dos eleitores brasileiros, mas ainda são minoria na atividade política. Para Mônica Sodré, cientista política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), as mulheres são desestimuladas e desacreditadas nas questões políticas. “Vivemos numa sociedade que conserva muito dos valores e das práticas patriarcalistas. É uma sociedade que, em geral, entende perfeitamente que o pai saia para fazer campanha política, mas que olha com maus olhos a mãe que faz o mesmo. É necessária uma mudança nos valores da sociedade”, esclarece Mônica.

 

Para Solange Dias, Vice-Presidente da AMTECI (Associação Empresarial do Polo de Ecoturismo de São Paulo), a sub-representação feminina afeta direitos sociais, com ênfase nos direitos femininos, ou seja, acarreta a falta de políticas públicas voltadas para esse grupo específico.

 

Foram criadas iniciativas que buscam incentivar a participação feminina, como a Lei de Cotas 9.057/97 (Art. 10, § 3º), que determina que 30% das cadeiras dos partidos sejam destinadas a mulheres, ou a Lei 9.096/95 (Art. 44 e 45), a qual estabelece que 5% dos gastos de campanha sejam aplicados “na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres”; contudo, conforme indicam dados das eleições de 2014, na prática isso não funciona como deveria.

 

“Os espaços de tomada de decisão precisam ser compostos por pessoas de diferentes perspectivas sociais”, defende Solange Dias. A cientista política Mônica Sodré entende que, para uma maior participação feminina na política, os partidos têm papel fundamental. As mulheres precisam acreditar que também podem atuar na política.

 

Imagem retirada: Pinterest

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